coração amorfo.

Pessoas ao meio.

Publicado em enchendo os pulmões., sem pulso., veia. por coracaoamorfo em 10 de novembro de 2009

Minha vida é cheia de pessoas ao meio. O que me leva a concluir que devo ser também, e assim vivo rasurada. É como um vaso com terra e sem flores, que mesmo assim insisto em encharcar d’água. É tudo um borrão cor de nada. Eu preferia o nublado, cor que vestia seus olhos, mas percebe que até terra apodrece? Que até a terra morre?!

hoje.

Publicado em veia. por coracaoamorfo em 2 de novembro de 2009

Eu só reconheço seus restos. Só te encontro no que há de mim em você, o que não é mais o mesmo e é hipotético. Ontem fui indecente, outra noite tive que calar a boca porque estragava a música. E foi assim mesmo, com essa mesma disposição que um de nós estragou tudo das outras vezes. Hoje estou preferindo seu silêncio remoto e quando eu jurava te conhecer. Hoje vou também preferir os cães, a cama e o calor do que a sua companhia.

pra você que ainda não passou 2.

Publicado em enchendo os pulmões., veia. por coracaoamorfo em 1 de outubro de 2009

Medir palavras. Devia ter feito isso não da última vez que escrevi, mas das últimas vezes em que não fomos, mas estivemos. Pra mim é melhor esclarecer até o que está morto, só assim enterro de vez a morte e volto a florescer. Erva-daninha floresce? Eu talvez sim. Só sei que nosso terreno é fértil, não consigo vê-lo apodrecer como tem acontecido. Podemos não nos olhar, fingir inodoros, incolores um pro outro – eu posso me comunicar por aqui com você, por essas linhas, pois sei que você as lê. A realidade tua não precisa mudar. Não quero confundir, embaraçar, enlear, só esclarecer, talvez também não morrer. Não precisamos nem conversar– e pra falar a verdade, eu fui te buscar quando senti que as coisas precisavam ser ditas se não iríamos nos matar por olhos e por palavras não ditas ou ditas com muito rancor, não pelo coração. Não quero fazer escolhas por você, nem induzir a isto. Só precisava dizer. Não vou pedir desculpas pelo desabafo. Pelo que vivemos, fomos e não soubemos dar ponto final. Me culpa pelo seu fim de semana ruim? Sei que sim. Eu não culpo ninguém além de mim sobre meus erros e todos os exageros que cometo, e todas essas palavras que vomito. Se não gosta de ouvir é porque veracidades doem. Erros doem quando a consciência vem pesando e quer acertar. É isso que mais dói, ter mãos, ter consciência do que precisa ser feito e não fazer. E mais uma vez as atitudes vão faltando-nos. Se minhas palavras atingem de maneira ruim, eu sinto, porque não era para provocar, para brigar ou mesmo para magoar. Magoados nós já estamos um com o outro há muito tempo e isso eu gostaria de curar, como a violeta que nunca seca. Sei que não vamos cicatrizar, mas também não precisamos ficar fedendo. Vamos entrar numa sala de cirurgia, vamos nos cuidar, vamos tirar esse câncer. Você pode ter minha amizade quando quiser. Sabe o quanto sou reservada e preservo o que é verdadeiro, por isso estou tentando de alguma maneira não deixar isso arruinar. Sei que você longe, as coisas desandam – tanto pra mim quanto pra você. Eu não sou cega, meu coração muito menos precisa de um cão guia. Sabe o que é engraçado nisso? Minhas palavras e eu. São a mesma coisa, estão na mesma pessoa, mas muitas vezes uma tem medo da outra e por isso não agem juntas sempre. É como o corpo não seguir a mente por ter medo dela, e vice-versa, mas também por isso sou tão cruel comigo e fui sempre tão megera com você. Eu sempre quis o melhor, mas nunca fui a mais certa de corpo, como você também não foi. Cobrar por erros do passado é irremediável, é necessário cobrar pelo que se deve ter aprendido com todos eles e eu me cobro por isso, pois aprendi muito com cada fragmento de erro e culpa que me causaram. Viver mentira é viver de vazio, é viver de vento. Você como eu, precisa de espaço pra viver. Precisa se achar dentro dos teus sóis, rés e mis, como eu das minhas tintas. Precisa além de tudo ver que o mundo só é mundo se a gente quer e assim não é ruim, porque o resto não precisa da gente, só precisa viver. E eu não quero viver cheia de coisas ruins a nosso respeito, perder o respeito por alguém que deve continuar grande em mim e é por isso que não devo e não vou te pedir nada. Eu só espero que a gente se cure. E fique bem JUNTOS.

Pra você que ainda não passou.

Publicado em enchendo os pulmões., sem pulso., veia. por coracaoamorfo em 23 de setembro de 2009

Não se cura um amor com outro amor, isso não fui eu quem disse primeiro, nem quem dirá por último. Meu pé de pimenta está brotando novamente – é sinal de que a vida nos volta, só você precisa também intuir. Roxo é a cor da cura, mas meu coração continua rubro e o teu surdo pelas notas de tuas músicas. A mágoa nos foi mútua e o que escrevo aqui não é provocação, é desabafo pedindo perdão. Perdão do que fomos à presença e no silencio de mãos dadas, bocas caladas e gemidos travessos – sem versos, reversos com medos.  Eu aqui te procuro por te ver fugindo também como eu, mas sem querer colocar palavras em tua boca como sempre fiz, eu só estou assumindo os sentimentos meus. E, de todo mal que te causei, de todo mal que me causou igual, pior, o mesmo, eu não te peço de volta, porque as coisas não voltam. A roda gira, e o adivinha continua. Tudo continua. O mundo pode ser pequeno, o mundo vai continuar a ficar menor. Essa nossa história não se pontua, ela não parou pelas tristezas, pela falta de respeito e pela indiferença que não ouve. Pelo contrário, os caminhos diversos continuam sendo paralelos, e no fim tudo se limita a um mesmo ponto – é aí que te encontro de novo, porque um grande amor, não se cura com outro amor, nem que este seja também um amor maior.

Publicado em veia. por coracaoamorfo em 20 de setembro de 2009

Eu tenho paixão por livros, li sobre raposas em alguns deles. E você Raposa, não é tão vazio quanto aquele banco ficou. Não devo adequar palavras ou aderir palavrões, mas PORRA VOCÊ FALA O QUE NÂO FAZ! e mesmo assim eu não vou implicar com você, pelo contrário da tua confusão esclarecida, eu não tenho dúvidas. A comunhão de gostos iguais não há extensão, pelo menos “de hoje não passa”.

Publicado em sem pulso., veia. por coracaoamorfo em 14 de setembro de 2009

Preciso aprender amar mais a mim que a você, mas isso é como ter que aprender a rezar e eu não tenho nem um deus pra acreditar. Então eu não sei mais o que fazer.

Frisos e fios.

Publicado em veia. por coracaoamorfo em 22 de agosto de 2009

Esta noite sonhei com formigas, e pensar que aos 2 anos quase morri por causa de coisas tão miúdas. E são nas coisas mais miúdas que me apego. Não nas quase-assassinas formigas, mas nas pequeninices da vida, como um friso dela própria. Uma gota de chuva escorrendo um desenho no vidro do carro me faz brincar com o dedo junto e sentir sua ponta umedecer sem tocá-la. E umedecer-me é sensato – vivo secando e deixando minhas folhas amarelas.

Minha vida às vezes fica aos frisos&fios, fico querendo empoeirar a espera de alguém pra me dar um banho n’alma. O problema é querer escolher e, isso eu faço continuamente errado.  Como eu acabei de fazer.

Explicações e Roberto Carlos até janeiro.

Publicado em veia. por coracaoamorfo em 20 de agosto de 2009

Não nasci pra ser bailarina, tropeço e piso nos meus próprios pés, mas também não preciso de par pra dançar. Os ossos estão num bom estado ainda, não foram ruídos como os vinis que foram pro lixo. Naquela caixa havia tanta coisa que você iria gostar de ouvir mais que as palavras que tenho hoje pra te dizer.  É só com a estação, com outro inverno chegando você vai digerir e entender, esfriar o corpo – talvez o corpo esfrie antes que o coração, mas paciência. Precisa agora é fazer como eu improvisando, respeitar os limites, os sentimentos e as possibilidades de nós dois – não sermos mais um. Estou em busca de alguma fé, pelo menos outra, uma que seja, que caiba em minhas mãos pequenas. Mas que seja concreta. E Raposa, se você queria saber o porquê de te chamar assim, é porque certa vez li que um príncipe cativou uma raposa, mas o coração do príncipe era de uma rosa, e só uma raposa especial e díspar poderia ter um sentimento leal e infreqüente de respeitar outra vontade e outro sentimento que não fosse como o dela, mesmo que a partida lhe causasse dor. Como lhe disse, te cuidaria, lapidaria, mas deixaria sempre o teu bruto ser tua melhor parte da arte.  

Vou ouvir Roberto Carlos por alguns meses ainda.

Amor de livro.

Publicado em veia. por coracaoamorfo em 20 de agosto de 2009

“Duas da tarde e, eu acabo de acordar. Dormi mais de 12 horas e nem estava precisando, pois depois de ti tudo em mim é calmaria, que a metade da metade destas horas já me bastaria o sono e o bem estar por um mês. Falo como uma apaixonada e assim percebo que deposito as chances de bastar-me em ti. Não lhe pergunto se é muito peso a carregar no peito, nas costas, e durante a vida toda “ainda”, porque sei.  Até o fim dos meus dias eu quero passar contigo e a certeza disso é absoluta. Limpa.

Nas coisas que lhe escrevo cheias de vírgulas e pontos finais que se retomam em mais outras e mais outras linhas, são como nossas vidas: vírgulas, pontos, vírgulas, pontos, mas sempre mais vírgulas que pontos. Já dei conta de que somos assim, esses intermináveis emaranhados de eu&você – torpes turvos e imperfeitos, como um pueril que vem de um velho passear de carro com o pai e luzes da minha velha cidade natal. Uma terceira pessoa solta pela boca, do gosto pelos sonhos que perdidos se encontraram juntos.

A simplicidade me toma por vez agora e nem por saudade eu sou buraco – o buraco que cavei é a campa que me eternizo contigo.

Desta vez falta. Eu não sei quanto. As horas são lendárias e eu nem sei se você continua fumando, então me dedico a te escrever e a olhar nossa árvore seca no nosso deck. E desde já lhe aviso sobre os pedidos nas garrafas e que nosso amor vai ser livro.”

O que me restou foram as mãos vazias e um peito derrotado pra carregar junto de mais uma vez ter que admitir que não foi agora.  Mas um livro se escreve, paredes se pintam, retratos empoeiram, pessoas vêm, outras vão. Eu ficarei agora, mas não com o coração nas mãos. Estou com as veias cansadas e minhas amídalas inchadas – quero estar sozinha pra quando o garoto que tem uma banda de rock se arriscar depois de deixar de se assustar comigo.  Raposas gostam de colo e eu espero que ele goste também.

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